text-align: center; B de Betina: Fast fashion & trabalho escravo?

16 outubro 2014

Fast fashion & trabalho escravo?

POR: MANDY MESQUITA  | FASHIONPINUPBLOG@GMAIL.COM

Hello, kiridas! Hoje eu venho falar um pouco a respeito do consumo consciente, uma reflexão que fiz depois de ler uma matéria gringa. Todos nós sabemos que aquele precinho mega convidativo, pode significar qualidade ou durabilidade baixa da peça. Comprar ou não, é uma escolha pessoal. Mas você sabia que esses preços baixos, em alguns casos, podem significar procedência duvidosa? Como assim, mandy?! Pois é, a peça que você tanto deseja, pode estar vindo de trabalho escravo ou outras formas exploratórias de trabalho. Não vou mentir, eu mesma, sou uma amante dos sites xing lings que quase todo mundo compra, adoro tudo baratinho, a qualidade não é lá aquelas coisas, mas o precinho é bem convidativo. Deixando o espírito consumista à parte, vale pensar que materiais vindo diretamente da China, há uma possibilidade muito alta de oferecer esse tipo de serviço. Mas a grande questão é: Você realmente se importa com isso? Você deixa de consumir um produto quando desconfia de sua procedência? Ou simplesmente faz vista grossa, compra e deixa pra lá? Essas são algumas questões que desejo levantar nesse post, para que possamos refletir pelo menos um pouquinho a respeito disso. 
Eu, mandy, não sou "A" fashionista consumidora fervorosa louca por tudo que é lançado no mercado das tendências. Até porque tenho uma outra visão do que é moda. Só compro o que realmente me agrada e sempre procuro direcionar meu consumo pra algo mais duradouro (aquela peça chave que sempre vai bem com tudo) e claro, amo brechós. Nada melhor do que poder dar uma outra cara para aquela peça velhinha e sujinha que estava no brechó perdida. Quero deixar claro que consumo consciente não é 'saber se a roupa está sendo feita via trabalho escravo'. Consumo consciente, trata-se de você tentar se direcionar às compras de peças mais duradouras, trabalhos artesanais(valorizando a arte do próximo), comprando um pouco menos, aderindo aos brechós ♥, conhecendo mais o trabalhos de designers independentes, e óbvio, comprando o que realmente lhe agrada e você se sinta bem usando. 
Sempre tento me manter informada sobre o lado negro da moda. Afinal, nem tudo são flores. Vocês já pararam para pensar o quanto nossa sociedade capitalista de "descarte de moda" produz lixo? Imagine a quantidade de tecidos, roupas e calçados que são jogadas fora todos os anos! Já pensou em quanto as indústrias poluem? Se tornar mais consciente na hora de consumir, é um fator muito importante e com certeza irá refletir de alguma forma nas indústrias. Se o desinteresse por esse consumismo exacerbado for cada vez mais aparente, uma hora a indústria acabará se adaptando aos novos perfis de consumidores. 
É importante sim, saber a procedência dos materiais que você compra, aí é que a moda alternativa entra como uma opção, a maioria das marcas alternativas ainda são feitas artesanalmente ou em pequena escala, sem exploração de trabalho. É importante lembrar que nem todas as marcas que são fabricadas na Ásia são frutos de trabalho escravo! Em todo lugar há algum tipo de exploração, quem não lembra do caso dos bolivianos explorados em São Paulo?
Lendo este artigo que resolvi escrever esse post, acho muito válido colocá-lo aqui. Afinal, o fast-fashion na gringa é muito, muito mais barato que o brasileiro. 

1) A indústria da moda é projetada para fazer você se sentir "fora da tendência" após uma semana. 
Era uma vez, havia duas temporadas de moda: Primavera / Verão e Outono / Inverno. A indústria da moda está produzindo 52 "micro-estações" por ano. Com as novas tendências que saem a cada semana, o objetivo do fast fashion é para que os consumidores comprem tantas roupas quanto possível, o mais rápido possível.  A mercadoria fast-fashion é tipicamente conhecida por seus preços muito mais baixos do que a concorrência, que opera em um modelo de negócios de baixa qualidade / alto volume. 
A varejista espanhola Zara, pioneira no conceito fast-fashion, recebe novas entregas para as lojas duas vezes por semana. H & M e Forever21 possuem novos estilos diarimente, enquanto a Topshop apresenta 400 estilos por semana em seu site. 
Com tantas roupas novas numa semana, o calendário de moda para essas empresas está configurado para fazer deliberadamente o cliente se sentir fora de tendência, após o primeiro uso. 

2) "descontos" não são realmente descontos. 
Os fashionistas amam a idéia de entrar em uma loja de ponta de estoque como TJ Maxx ou Marshall e sair de lá com roupas de grifes e pagando apenas uma fração do preço. Você sabia que uma roupa de outlet nunca entrou numa loja de grife? 
"Apesar da crença comum, roupas outlet nunca entraram em uma loja 'regular' e é mais provável ter sido produzido em uma fábrica totalmente diferente do que a roupa 'original '", escreve Jay Hallstein em "O Mito do Maxxinista." 
A realidade é que outlets negociam com os designers/grifes para que eles possam colocar as etiquetas nas roupas barataa fabricadas em suas próprias fábricas de baixa qualidade. 

3) Há produtos químicos perigosos sobre sua roupa. 
De acordo com o Centro de Saúde Ambiental, Charlotte Russe, Wet Seal, Forever21 e outras cadeias de fast-fashion populares ainda estão vendendo prças contaminadas por chumbo. Bolsas, cintos e sapatos acima do valor legal, anos depois de assinar um acordo de concordar em limitar o uso de metais pesados em seus produtos. 
Um artigo no The New York Times diz que o Centro de Saúde Ambiental está se concentrando em reduzir o teor de chumbo em produtos comercializados para as mulheres jovens, porque a acumulação de chumbo nos ossos pode ser liberado durante a gravidez, podendo prejudicar a mãe e o feto. 
A exposição ao chumbo também tem sido associada a maiores taxas de infertilidade em mulheres e aumentam os riscos de ataques cardíacos, derrames e pressão alta. Muitos cientistas concordam que não existe um nível "seguro" de exposição ao chumbo para qualquer um. 
4) A roupa é projetada para desmoronar. 
Gigantes fast fashion, como H & M, Zara e Forever21, mantém seus modelos de negócios  dependentes de desejo dos consumidores de roupa nova para vestir - o que é instintivo, se a roupa desmorona em uma lavagem. 
"Uma loja como H & M produz centenas de milhões de peças por ano, eles colocaram uma pequena margem de lucro sobre as roupas e ganham o seu lucro com a venda de um oceano de roupas." 
Então, por que devemos nos preocupar? Porque um americano em média joga fora mais de 68 quilos de tecidos por ano. Nós não estamos falando sobre a roupa que está sendo doada para lojas de caridade ou vendidos para lojas de remessa, que 68 quilos de roupa vai diretamente para aterros sanitários. Porque a maioria das nossas roupas hoje é feito com fibras sintéticas, à base de petróleo, vai demorar décadas para estas peças de vestuário se decompor. 

5) Pérolas e lantejoulas são uma indicação do trabalho infantil. 
Estimativas do setor indicam que 20 a 60 por cento da produção de vestuário é costurado em casa, trabalhadores informais. Existem máquinas que podem aplicar lantejoulas e pérolas que se parecem com trabalhos manuais, mas essa maquinaria custa muito caro e devem ser adquiridos pela fábrica de roupas. É altamente improvável que uma fábrica no exterior investiria no equipamento, principalmente se a roupa que está sendo feita é para um rótulo de fast-fashion baseada em vendas. 
Ao realizar sua própria investigação, Siegle descobriu que existem milhões de homem-trabalhadores desesperados, estão escondidos em algumas das regiões mais pobres do mundo ", curvados, de tanto costurae rem e bordarem o conteúdo do guarda-roupa mundial ... morando em favelas onde uma família inteira pode viver em um quarto individual ". 
Muitas vezes, com a ajuda de seus filhos, os trabalhadores domésticos costuraram o mais rápido que puderem e por quanto tempo a luz do dia permite embelezar e ofuscar as roupas que acabam em nossos armários. Siegle completa dizendo, "Eles vivem em presidios por intermediários tirânicos que pagam alguns dos mais baixos salários na indústria do vestuário." 

"São dados completamente assustadores, por isso mesmo salientamos a importância de se reeducar como consumidor. O consumo consciente requer educação e informação que nem todo brasileiro tem. Quando todos tiverem, vão cobrar e pressionar mais. A questão é como assegurar preço para produto com atributo de sustentabilidade ambiental, social e trabalhista que o mantenha competitivo em relação aos outros." Trecho da matéria Escravos da Moda.

Vocês conhecem o aplicativo Moda Livre?! Na matéria acima é citado este app para celular, iniciativa da Repórter Brasil, trás avaliações de 22 marcas a partir de questionários respondidos pelas próprias empresas. Baixei o app e vou contar pra vocês um pouquinho de como funciona.
O app funciona com o método de sinais: verde, vermelho e amarelo. Tipo semáforo! hahaha
Sinal verde: Demonstram ter mecanismos de acompanhamento sobre sua cadeia produtiva e possuem histórico favorável em relação ao tema.
Sinal amarelo: Possuem histórico desfavorável em caso de trabalho escravo e/ou precisam aprimorar seus mecanismos.
Sinal vermelho: Não demonstram ter mecanismos de acompanhamento e tem histórico desfavorável em relação ao tema ou não responderam o questinário.

E claro que eu não poderia deixar de falar quais marcas estão participando e quais seus respectivos alertas.

VERDE: C&A, Malwee, Scene.
AMARELO: Americanas, Bobs Store, Cori, Crawford, Ellus, Dzarm, Herchcovitch , Emme, Hering, Luigi, Marisa, Memove, Mandi, Renner, Pernanbucanas, PUC, Richards, Riachuelo, Zara, VR, Salinas, Siberian. 
VERMELHO: 775, Bo.Bô, Centauro, Collins, Gregory, Havan, John John, Leader, Le Lis Blanc e Talita Kume.

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